5 de setembro de 2013

Lenda Urbana: 'Loira do Algodão' espalha pânico e faz vítimas em SP e PR

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Lendas urbanas fizeram parte da história do "Notícias Populares" e por vezes seus personagens estamparam as manchetes do jornal.

Uma delas, a "Loira do Banheiro", também conhecida como "Loira do Algodão" ou "Loira Fantasma", fez diversas aparições entre os anos de 1975 e 1976, e não só nos toaletes, mas também em estradas, pontos de ônibus e festas.

E o personagem vai além das facetas presentes nas lendas norte-americanas de "Bloody Mary" ou nas regras para evocar o espírito da mulher repleta de algodão na boca e no nariz, que envolviam dar descarga três vezes, chutar o vaso sanitário e proferir xingamentos.

Os relatos mais marcantes da "Loira Fantasma" começaram em junho de 1975, quando motoristas de táxis e caminhoneiros passaram a sofrer com as assombrações da garota pelas ruas e estradas de Curitiba (PR). Isso levou o "NP" a enviar dois repórteres à capital paranaense para acompanhar os casos da suposta dama sobrenatural.

Lá, encontraram o taxista Wilmar Siqueira (na época com 26 anos), que afirmou: "Eu fui estrangulado pela 'Loira Fantasma'". O condutor contou à reportagem que há algumas noites, por volta das 23h30, ao voltar de uma corrida, avistou uma linda garota loira, a qual ele prestou serviço. Assim que a bela entrou no carro, pediu para que Wilmar fosse até o cemitério Abranches. Sem estranhar nada, ele seguiu o trajeto em alta velocidade, mas aí tomou o primeiro susto: ao olhar para o retrovisor, viu que a mulher havia desaparecido. Com medo, freou o carro bruscamente.

Após tentar convencer-se de que tudo teria sido fruto de sua imaginação, o motorista retomou o caminho rumo ao centro da cidade, porém, instantes depois, novo sobressalto. A garota tocou o seu ombro e disse: "Por que você está com medo?". Uma vez mais, porém, ao olhar para trás, percebeu que não conduzia ninguém.

O taxista, então, encontrou policiais no caminho, e estes o conduziram até a delegacia, onde contou sua versão dos fatos. Foi convencido a voltar ao local, acompanhado dos guardas, para que então pudesse ser solucionado o estranho caso.

Sozinho em seu automóvel (a polícia espiava à distância), o assustado homem foi até a frente do cemitério e, de repente, sentiu duas mãos geladas em seu pescoço tentando estrangulá-lo. Após perceber algo de errado no táxi, os policiais Cunha e Artigas se aproximaram e ordenaram que a loira saísse do veículo. Ao esboçar uma reação, a garota foi alvejada com três tiros, sendo um deles na cabeça. De acordo com os guardas e o rapaz, após ser abatida, a moça levantou-se gargalhando e desapareceu no meio da escuridão. O espanto tomou conta de todos e deixou um mistério no ar...

No dia seguinte, os repórteres do "NP" encontraram-se com Diamond Lazzali, dono de uma funerária de Curitiba e restaurador de cadáveres. De acordo com ele, no dia 12 de janeiro de 1975, uma loira muito linda, de aproximadamente 35 anos, fora atropelada e morta na avenida República Argentina. O atropelador fugira do local, deixando a vítima agonizar até a morte.

Diamond informou que a mulher se chamava Cláudia Regina, mas que ninguém reclamou o corpo. Segundo ele, o documento de identidade da vítima era da cidade de São Paulo. O mais intrigante do relato do restaurador, porém, foi ele ter declarado que conversou por três vezes com o espírito e que, inclusive, foi amaldiçoado em uma das oportunidades. "Você está incumbido de descobrir quem me atropelou, do contrário, irei atormentá-lo pelo resto da vida", reproduziu o dono da funerária, imitando a fala da visão quimérica.

Dias após a maldição, os negócios começaram a ir de mal a pior e a sua saúde degringolou. O mesmo acontecia com o taxista estrangulado pelo fantasma, que ficou sem emprego por ninguém mais querer andar em seu carro.

O "NP" ainda localizou outra vítima da loira, o caminhoneiro Érico Quadros Dwuilli (48), que havia saído de Florianópolis (SC) com o seu caminhão carregado de soja rumo a Goiás. Era noite quando ele decidiu fazer uma parada na capital paranaense para descansar, porém, antes de chegar, avistou uma belíssima garota pedindo carona na estrada. Gentil, resolveu ajudá-la. Parou o caminhão um pouco à frente de onde ela se encontrava e a esperou... Quando notou que a mulher não vinha, desceu do caminhão e viu que a mesma não se encontrava mais lá. Ao voltar à cabine, tomou um susto: a dama estava sentada lá dentro.

Durante a carona, a mulher proferiu a mesma ameaça feita ao dono da funerária e, depois, desapareceu. Em pânico, o caminhoneiro começou a rezar.

Em seguida, uma moradora da região onde o taxista Wilmar fora estrangulado pela "Loira Fantasma" afirmou ter escutado os tiros e visto o táxi e duas viaturas da polícia. Segundo ela, um corpo foi tirado do carro e colocado no mato, mas tentou desmistificar o caso: "A única loira que vi por aqui é a mulher do Abílio, mas posso adiantar que o cabelo dela é oxigenado, ela não é tão bonita assim e sei até algumas coisinhas sobre ela".

Depois da fama adquirida no Sul do país, a "Loira Fantasma" só voltou às manchetes do "Notícias Populares" em 1976, quando o jornal publicou no dia 30 de maio: "Mulher Fantasma dançou no baile a noite toda", relatando que a musa fantasmagórica havia sido vista em um baile no salão do Cobraseixos, em Osasco (SP).

O local estava cheio, com quase 2.500 pessoas, quando um rapaz convidou a moça para ir à pista de dança. Ao retirar o capuz que cobria a cabeça da sua companhia, porém, o jovem viu que chumaços de algodão tampavam boca e narinas da mulher. Apavorado, ele desmaiou e foi hospitalizado em estado de choque.

O moço, que era bancário, voltou a trabalhar logo após ter recebido alta dos médicos. Mas, segundo os colegas de serviço, ele nunca mais foi o mesmo. E o baque parece ter sido tão forte que ele veio a falecer posteriormente.

Tal como Osasco, São Bernardo do Campo também foi palco de acontecimentos estranhos envolvendo a suposta assombração. No início da madrugada do dia 6 de agosto de 1976, na Estrada do Alvarenga, bairro do Jardim Telma, o estudante Alfredo Aparecido deu carona em seu Corcel verde-claro a uma jovem que estava sozinha em um ponto de ônibus.

Ao perguntar onde a garota morava, ouvi: "Onde não mora ninguém". Imediatamente, Alfredo retrucou: "Pois bem, eu também moro lá". E assim partiram no carro.

Conversa vai, conversa vem, a moça pediu que ele parasse o carro: "Moro por aqui, não quero que você se aproxime da minha casa". O estudante aproveitou-se da situação e colocou o seu braço sobre o encosto do banco onde ela estava, mas, neste momento, foram interpelados por integrantes da Rota-115, que queriam verificar se estava tudo bem.

Os policiais alertaram ao casal sobre o perigo de estarem parados ali aquela hora da noite e foram embora. Novamente sozinhos, os dois se beijaram, mas inexplicavelmente ela disse que tinha que ir embora e, num piscar de olhos, desapareceu.

Assustado, Alfredo começou a gritar por socorro no meio da estrada escura. Os policiais, ainda em ronda pela região, avistaram o rapaz e o levaram à delegacia, mas, após ouvir a história, o delegado Nivaldo Homo não conseguiu uma maneira de registrar a ocorrência, apesar de ter se comprometido a investigar.

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