10 de outubro de 2013

"Todo jornalismo deveria ser investigativo", diz Roberto Cabrini em entrevista

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O jornalista Roberto Cabrini cobriu guerras, apresentou programa policial e protagonizou diversos furos jornalísticos. Hoje se dedica ao que ele intitula enfaticamente de um jornalismo que “se inspira pela luta dos direitos humanos”. Apresentador e editor-chefe do “Conexão Repórter”, no SBT, Cabrini está entre os profissionais de imprensa mais premiados do país, mas também entre os mais polêmicos. 

Em entrevista ele reforça a tese de que jornalismo é investigativo por essência. Entretanto, o uso do termo é empregado quando uma apuração mais aprofundada se destaca em meio a um jornalismo – praticado diariamente – "tendencioso, unilateral e superficial'.

Mesmo com a exposição de sua imagem, Cabrini mergulha nas apurações. Seja em matérias que mostram pastores acusados de assédio, cartomantes mercenárias ou grupos nazistas, o jornalista está na rua em busca de uma boa história. Elemento que para ele, independente da época, continuará sendo o melhor ingrediente do jornalismo.

Você se define como jornalista investigativo?
Roberto Cabrini - Sem dúvida. Em tese, todo jornalismo deveria ser investigativo, porém existem tantos exemplos de jornalismo oficial, unilateral, tendencioso, raso ou superficial que se convencionou denominar de investigativo aquele que é praticado com mais profundidade. Minha principal inspiração é a luta intransigente pelos direitos humanos: defender as minorias, os discriminados, os desassistidos, os injustiçados, os esquecidos. É o que me move e sempre com apurações independentes.

É possível fazer jornalismo investigativo na TV mesmo sendo conhecido? 
Com certeza é possível, mas requer método e uma equipe treinada e conscientizada. É preciso identificar o momento de apurar, filmar, e documentar incognitamente e o momento de conseguir informações decisivas por meio de entrevistas feitas com sensibilidade e estratégia.

Você tem total liberdade em suas apurações?
Em qualquer veículo de comunicação, em qualquer parte do mundo, o jornalista vai enfrentar algum tipo de restrição em algum momento. Isso, entretanto, não pode servir como desculpa. Cabe ao jornalista resistir. Penso que a pior forma de censura é a da autocensura. Já presenciei situações em que o próprio repórter deixa de investigar fatos por atuar com o pressuposto de que vai ser cerceado. É preciso ter sabedoria, mas também é necessário ousar, avançar. 

Você já cobriu guerras, grandes acontecimentos e agora se dedica a um jornalismo de denúncia. Esse tipo de jornalismo recebe o espaço devido no Brasil? 
Analisando o cenário brasileiro ainda falta muito, mas não se pode esmorecer. A excelência tem que ser perseguida todos os dias sem acomodação. Vejo exemplos de ótimo jornalismo em vários veículos brasileiros. Aqui no “Conexão Repórter” temos uma equipe aguerrida. Atuamos com bastante liberdade e os  resultados estão aparecendo. Já ganhamos vários prêmios importantes, provocamos a realização de diversas CPI’s e nossas reportagens chegaram a repercutir nos principais veículos do mundo como o New York Times, a CNN, o Le Monde e o El País. Um incentivo que tem que ser aquecido com nossa eterna inquietação.

As novas tecnologias exigem algum tipo de alteração em sua dinâmica de apuração?
A moderna tecnologia torna o telejornalismo muito mais ágil, porém menos reflexivo. Quando comecei vivíamos tempos sem Google, computadores, ou internet. O jornalismo era em velhas máquinas de escrever feito também nas mesas de bar, na boêmia, entre gargalhadas altas e abraços que uniam até concorrentes transformados em parceiros de noitadas sem fim que, muitas vezes, juntos procuravam a melhor forma de driblar a censura governamental. Hoje com a comunicação online, redes sociais e a geração instantânea de imagens e sons, o jornalismo adquiriu uma nova cara. Não tem o romantismo de outros tempos e tende a ser mais rápido e solitário. Mesmo assim, no fundo nunca algo mudou tanto para continuar a mesma coisa de sempre. Com ou sem tecnologia, com ou sem censura, a receita da boa reportagem ainda depende muito do bom e velho contador de histórias.

Fonte Portal Imprensa

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