29 de novembro de 2014

“Chaves” e SBT, tudo a ver

Não é por acaso que o SBT exibe “Chaves” há cerca de 30 anos. O programa é a cara da emissora – tanto por suas qualidades quanto defeitos.

Reza a lenda que nem mesmo Silvio Santos, com seu faro apurado para tudo que é popular, gostou do seriado ao avaliá-lo pela primeira vez, no início dos anos 80. Ainda assim, o SBT começou a apresentar o programa em 1984.

“Chaves” pegou de jeito crianças nascidas a partir da década de 70. Até por uma questão de idade, não sou fã do seriado, nem de Roberto Bolaños (1929-2014), cuja morte ocorreu nesta sexta-feira (28). Mas é muito fácil entender por que foi tão amado.

O programa encanta as crianças e faz rir os adultos em parte por sua excessiva simplicidade. É uma opção coerente com o universo que retrata, mas também deixa explícita a falta de recursos. Espero não ofender ninguém ao dizer que a produção mexicana é tosca mesmo, como muita coisa que o SBT fez ao longo de sua história.

Também funciona muito bem no seriado o fato de adultos interpretarem os principais papéis – o próprio Chaves (Bolaños), Quico (Carlos Villagrán) e Chiquinha (María Antonieta de las Nieves). Esse efeito só dá certo porque o texto cabe perfeitamente na boca dos bons atores e, no caso do Brasil, dos excelentes dubladores.

“Chaves” conta histórias que não fazem mal a ninguém, de uma grande ingenuidade e leveza. Os fãs enxergam profundidade onde há apenas bom senso, e veem graça na total falta de sentido de alguns ensinamentos, como “prefiro morrer do que perder a vida”.

Como uma boa comédia de situação (sitcom), “Chaves” tem personagens muito bem desenhados e contou com o talento de Bolaños como roteirista, sempre capaz de desenvolver variações em torno do mesmo tema sem que isso causasse incômodo para os fãs.

Ainda assim, esta é uma característica que me faz lembrar o SBT. “Chaves” repete as mesmas piadas e bordões indefinidamente, com a mesma sem-cerimônia que a emissora reprisa os episódios do seriado.

“Chaves” já trocou de horário infinitas vezes nestes 30 anos e já foi tirado do ar em algumas ocasiões. Mais difícil é a decisão de excluí-lo definitivamente da grade. O seriado não combina com o sonho de o SBT se modernizar. Mas sacar da programação um programa tão amado é uma decisão difícil.

Aliás, o SBT explorou e reprisou tanto “Chaves” nestes 30 anos que não chega a ser uma surpresa, do ponto de vista estatístico, que estivesse passando um episódio do seriado quando foi anunciada a morte de Bolanõs.

Fonte Mauricio Stycer

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