27 de novembro de 2016

Netflix promete aumentar a produção de séries no Brasil: '3% é só o começo'

A série 3% é apenas o começo de um grande investimento que a Netflix fará em produções brasileiras. É o que promete Erik Barmack, vice-presidente de séries originais internacionais da plataforma de vídeos por streaming. O executivo, que está no Brasil para a divulgação da primeira série brasileira da empresa, 3%, conta que alguns projetos já estão saindo do papel.

"É super provável que façamos muitas outras séries originais no Brasil, em português. Eu penso nisso. [3%] É só um começo. Recebo muitos projetos [de produtores brasileiros] e há muitas discussões em andamento, então teremos novidades sobre nossa estratégia de originais no Brasil nos próximos três ou seis meses. Talvez possamos fazer sete ou oito séries no Brasil, e queremos fazer séries para diferentes gostos. Eu aposto que em alguns anos veremos séries brasileiras sendo distribuídas ao redor do mundo, é assim que vai ser", afirma.

Já há pelo menos quatro novas produções brasileiras confirmadas para o catálogo da Netflix: a série de stand up comedy do youtuber Felipe Neto; o filme O Matador, um faroeste que se passa em Pernambuco no início do século 20; o reality show com competições de força e agilidade chamado Ultimate Beastmaster, com participação de Anderson Silva e Rafinha Bastos; e a série sobre a Operação Lava Jato, idealizada pelo diretor José Padilha, um dos responsáveis por Narcos.

"Ele [Padilha] é um grande talento e um grande diretor, então dissemos: 'Se há algo em que você queira trabalhar, uma história que queira contar para o Brasil...', e ele disse que tinha. Estamos trabalhando com [a roteirista] Helena Soares, vamos gravar no ano que vem. Essa é uma de muitas histórias que vamos contar no Brasil", declara.

Barmack sabe que já há ansiedade do público brasileiro em relação à série sobre a Lava Jato, mas suas expectativas, por enquanto, estão concentradas em 3%, que estreia nesta sexta (25).

Apesar da confiança no conteúdo, ele ainda tem dúvidas sobre a recepção da primeira série brasileira distribuída mundialmente nos outros 190 países em que a Netflix atua.

"É difícil saber. Não pensamos num retorno numérico, pensamos na repercussão com os fãs apaixonados. O que gostamos é que 3% é jovem, moderna, é um gênero que as pessoas gostam de fazer maratona. Os tópicos [abordados na série] são muito relevantes não só para o país", diz, esperançoso.

Black Mirror brasileiro
Com oito episódios na primeira temporada, a série 3% se passa em um mundo pós-apocalíptico, devastado e cruel, no qual o Brasil está dividido em duas partes. O Continente é um lugar miserável, onde não há recursos básicos, e o Maralto é a área desenvolvida e restrita. A trama mostra o processo seletivo pelo qual jovens de 20 anos passam para tentar chegar ao setor privilegiado _apenas 3% conseguem.

O vice-presidente acredita que tanto o público brasileiro quanto o estrangeiro poderão encontrar semelhanças entre 3% e outros produtos da Netflix, como Black Mirror (pelo retrato do futuro e uso de tecnologias) e Orange Is the New Black (pela diversidade no elenco). Para ele, criar identificação e alcançar principalmente o público jovem são dois grandes objetivos da produção brasileira.

"Nós queríamos ser representativos sobre o que o Brasil é hoje. Temos a mesma coisa com Orange Is The New Black. Há essa audiência que quer ver diferentes pontos de vista e diferentes tipos de atores. Há também todas as tecnologias e efeitos especiais, que lembram Black Mirror. Acho que os jovens ao redor do mundo se relacionam com isso. Queríamos temas relevantes para os jovens e adolescentes hoje", conclui.

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